quinta-feira, 22 de outubro de 2009

UMA ANÁLISE SOBRE A PERCEPÇÃO DE POLÍTICA NA JUVENTUDE CENECISTA DE MURIAÉ *



* Trabalho Científico apresentado no ENIC - Encontro de Iniciação Científica da Faminas realizado no dia 22 e 23 de outubro de 2009 e Muriaé MG 

Sandro Areal Carrizo (PQ1  sacarrizo@ig.com.br),  Aline Napoleão Andrade (iC1- alinenapoleaoandrade@hotmaile Lorena Agostini Maia (IC2 lorena_agostini.m@hotmail.com)

Palavras-chave: Política, juventude cenecista, participação


1-    A juventude e seu perfil

 Questões referentes a juventude e política estão sempre em evidência  e norteiam os estudos nesse trabalho. Buscamos entender os conceitos e pretendemos entender as particularidades inerentes a relação da Juventude com a Política.  Nosso trabalho, desenvolveu-se com a proposta de coletar informações e dados, por meio de entrevistas e  leituras específicas,  com o interesse em  estudar  um grupo específico de indivíduos que chamamos de Juventude Cenecista de Muriaé. 
As  Juventudes  contemporâneas estão interligadas  e ao mesmo tempo fechada em seus distintos mundos particulares. Cada tribo em sua área ou território e quase todos navegando no espaço virtual chamado internet. A  juventude,  que hora chamamos de Cenecista pela convivência do mesmo espaço educacional não se distingue tanto das demais juventudes.   Ao ser definida como categoria  social, a juventude torna-se, ao mesmo tempo, uma representação sócio-cultural e uma situação social. Ou seja, a juventude é uma concepção, representação ou criação simbólica, fabricada pelos grupos sociais ou pelos próprios indivíduos tidos como jovens, para significar uma série de comportamentos e atitudes a ela atribuídos. Ao mesmo tempo, é uma situação vivida em comum por certos indivíduos.
O jovem  brasileiro  possui um perfil  socioeconômico  próprio; a Juventude (15 a 24 anos): soma 34 milhões (20%) , Adultos-jovens (25 a 29 anos): 47 milhões, a maioria é atingida pela exclusão social e sofre com outros sérios problemas como:  disparidade de renda, acesso restrito à educação de qualidade, falta qualificação para o trabalho, envolvimento com drogas lícitas e ilícitas, situações de Gravidez na adolescência , violência no campo e cidade e limitado acesso às atividades lúdicas, esportivas e culturais. E não são poucos os problemas que atingem esse público.
 Os Jovens fora da escola ou com defasagem idade-série são 17,1 milhões (51%) e, destes, 11 milhões (66%) não concluíram o Ensino Médio. Outros 4,5 milhões  (20%) de jovens de 18 a 24 anos ainda freqüentavam a escola básica (fundamental e médio)  e infelizmente existem, ainda 1,2 milhão (3,6%) de jovens analfabetos, 70% na Região Nordeste e 73% negros [1].
 Falar da juventude e sua percepção de política é tarefa importante pois, na história recente do país,   esse grupo social tem tido o papel de protagonista dos acontecimentos. Vale fazer memória de alguns fatos. Citamos  os jovens  Caras Pintadas que foram personagens importantes  para a retirada de Fernando Collor de Mello da Presidência da República.  Destacamos a luta resistência contra as ditaduras militares da América latina e, em especial, nos anos de chumbo do Brasil. Ressaltamos também,  as diversas  juventudes que usam da criatividade e ousadia fazendo  de suas  manifestações  espaços de reivindicações e instrumentos de luta.  Nesse sentido,  lembramos  a UNE-  União Nacional Estudantil que  é a principal entidade estudantil brasileira  e continua sendo entidade de conquistas, debates e promoção da juventude brasileira.
  Em estudos publicados recentemente constata-se que pelo menos 13 milhões de jovens têm algum tipo de participação em organizações. As  igrejas lideram o ranking de participação juvenil, seguidas das ONGs.  Outro dado importante sobre a juventude e sua relação com a política,  está no fato de que  nos últimos anos, cresceu 39,3% o número de jovens com 16 e 17 anos que tiraram o titulo de eleitor, mesmo sem a obrigação  de votar. Nos períodos eleitorais a militância jovem acrescenta cores e alegria nas campanhas defendendo seus candidatos e partidos com  muita convicção e entusiasmo.
Pesquisas revelam que  a juventude de diversas regiões brasileiras, demonstram que a transição para a fase adulta não é representada apenas pelo início da vida profissional.  Na publicação “Juventude, juventudes: o que une e o que separa”, lançada em 2006, pela representação da UNESCO no Brasil, revela que 27,3% dos jovens brasileiros participam ou já participaram de alguma forma associativa, como movimentos sociais, ONGs, sindicatos, partidos políticos, grupos culturais e religiosos. Ao todo, são 13 milhões de jovens envolvidos apenas no Brasil. A juventude das áreas metropolitanas apresenta-se em uma posição intermediária. Não há uma adesão irrestrita às formas tradicionais de participação política, mas também não há nenhum grau absoluto de desinteresse[2] .
2-    A juventude cenecista e a política

A juventude Cenecista que estudamos é um recorte juvenil formado pelos alunos do Ensino Médio do CCEM - Centro Cenecista Educacional de Muriaé,  estabelecimento de ensino localizado na Rua José Augusto de Abreu, nº 150, escola da rede privada com 40 anos de tradição. Essa escola  tem como instituição mantenedora a CNEC – Campanha Nacional de Escolas da Comunidade uma grande rede de escolas privadas espalhadas pelo Brasil.
Ressaltamos nesse estudo, que todos aqueles que atuam no CCEM  freqüentando o mesmo espaço, alunos, diretores, pedagogos, auxiliares de serviços se enquadram como “ cenecistas”. Essa escola  que consideramos como centro de aprendizagem e construção de conhecimentos, espaço de relações mútuas e cooperação, palco de arte, fonte de cultura e ciência é o  berço Juventude Cenecista. Com idades  entre 14 e 18 anos,  os jovens cenecistas são filhos  de classe media e podem ser percebidos  como  participantes de  um grupo específico dentre as muitas juventudes existentes.
Quanto a política abordada  é importante que fique claro sua referencia a funcionalidade administrativa, organizacional nas finalidades econômica, educacional, saúde  e reivindicatória dependendo da entidade a que se refere.
        A palavra política que fazemos menção é usada para referir-se a toda modalidade de direção de grupos sociais que envolva poder, administração e organização.
[4]  A política é a liberdade de se expressar e de ter uma opinião. Sua finalidade é manter a ordem pública, defesa do território nacional e o bem social da população. A idéia da Política é ter uma forma de organizar a sociedade, em seus diversos âmbitos evitando que chegue a um caos sem ordem ou a uma bagunça tratando da convivência dos diferentes. É nesse sentido que analisamos sua percepção pela Juventude Cenecista de Muriaé.
Antes de ir a campo para coletar dados e informações, definiu-se com clareza os participantes, a metodologia e  bibliografia a serem utilizadas.   A pesquisa buscou levantar dados por meio de instrumentos  aplicados junto aos alunos participantes, com idade de 14 a 18 anos, de ambos os sexos, originários dos mais variados bairros da cidade. O questionário foi composto de 06 (seis) perguntas, com alternativas de respostas preestabelecidas. A coleta de dados e sistematização ocorreu entre os meses de outubro de 2008 e agosto de 2009.  A análise dos dados se deu de forma coletiva, buscando a melhor interpretação dos resultados obtidos. Os dados foram trabalhados e colocados em gráficos para uma melhor visualização dos resultados, sendo as considerações  emitidas ao final.

1-    Considerações finais

             No caso específico da Juventude que estamos estudando os jovens  não tem a política como sua prioridade ou como objetivo de vida. Porém, quando perguntados se a política  seria importante para melhorar a sociedade . A maioria de 94,5% considerou que sim. A política é importante. A meta de passar no vestibular despontou como prioridade alcançando o total  de 59% dos participantes. Com os resultados obtidos, pudemos chegar a  interpretações  que vão de encontro à realidade nacional, em relação à juventude e sua percepção e participação política. Cerca de 26% dos  jovens pesquisados participam de diversos espaços e comunidades exercendo sua cidadania  em uma proporção muito próxima da realidade nacional [3].
Percebemos também que a escola, como instância formativa, acerta ao estimular o conhecimento  de seus alunos,  oportunizando  o envolvimento  na realização de eventos e projetos que ocorrem durante o ano letivo. Com esse estudo,  foi possível identificar  a desinformação dos pesquisados, sobre os agentes políticos que atuam nas instâncias governamentais. Tal situação deve ser trabalhada através do estímulo à leitura de jornais, revistas e periódicos que tratem do assunto.  Enfim, indicamos a promoção de  ações e projetos pedagógicos que enfatizem as questões políticas em suas variadas dimensões. Como sugestão, para fortalecer o protagonismo e a participação política,  sugerimos  a criação do Grêmio Estudantil ou outras formas de organização estudantil, onde os jovens alunos  possam atuar em regime de colaboração com a direção da escola, apresentando seus sonhos, propostas, anseios e idéias.    
4- BIBLIOGRAFIA:
[1]FUNDAÇÃO PERSEU ABRAMO.Juventude, cultura e cidadania. São Paulo, Núcleo de Opinião Pública, 2000.
[2] UNESCO. Juventude, juventudes: o que nos une e o que separa. coordenação de Mary Garcia Castro, Brasília, 2006.
 [3]Sposito. Marília Pontes. Os jovens no Brasil: desigualdades multiplicadas e novas demandas políticas. São Paulo: Ação Educativa, 2003
[4] CEZAR do Amaral Lunamar; O que é política. Anais eletrônicos  disponível em http://www.artigonal.com/direito-artigos/o-que-e-politica-870465.html) Acesso em 25/08/2009

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