segunda-feira, 22 de julho de 2013

Carta da 17ª Romaria da terra e das águas de Minas Gerais e 9ª Romaria do/a Trabalhador/a Rural da Diocese de Leopoldina, MG

 Nós, romeiros e romeiras, do campo e da cidade, do Estado de Minas Gerais, reunimo-nos na cidade de Miradouro, Diocese de Leopoldina, Zona da Mata Mineira, para celebrar a 17ª Romaria da terra e das águas do estado de Minas Gerais e a 9ª Romaria do/a Trabalhador/a Rural da Diocese de Leopoldina. Anunciamos os projetos de vida, em sintonia com o Evangelho de Jesus Cristo, e denunciamos os projetos de morte que afligem o povo e o meio ambiente. O compromisso com o Evangelho da Vida para todos – que gera esperança -, a fidelidade ao Deus dos pobres, aos pobres da terra e de Deus, nos convoca à reflexão sobre a realidade, ouvindo os clamores que vêm dos campos, dos camponeses, das cidades e do povo urbano. Em sintonia com os clamores do povo mineiro, em especial, as juventudes do campo e da cidade, escolhemos o Tema: Juventude no campo e na cidade, e o Lema: Defendendo nosso chão, nossa gente e a criação. Denunciamos como projetos de morte a concentração de terras nas mãos de poucos, a privatização da terra e das águas, a monocultura de eucaliptos, da cana de açúcar, da soja e do capim. Nenhuma monocultura presta. Todas oprimem, violentam e devastam socioambientalmente. Denunciamos o modelo de sociedade capitalista, excludente, baseado na propriedade privada dos meios de produção, o que serve para legitimar a concentração de terra nas mãos de uma minoria, trazendo muito sofrimento e injustiças principalmente para as populações tradicionais que são expropriadas de suas terras, pela grilagem que continua desde o processo latifundiário das capitanias hereditárias até nossos dias com seus projetos grandes e monstruosos de barragem atingindo gravemente as comunidades tradicionais, os pescadores artesanais, extrativistas, camponeses e agricultores familiares. Repudiamos a falta de compromisso dos governos com a reforma agrária, com a agricultura familiar e com a agroecologia. É uma grande injustiça destinar bilhões para o agronegócio e apenas migalhas para os pequenos do campo. Repudiamos como injusto e violento a liberação dos governos de projetos de mineração, de construção de grandes barragens, de monoculturas, projetos que trazem um rastro de destruição para o povo e para as comunidades. No campo, nas poucas matas, nos resquícios de cerrado, na caatinga, nos lagos e rios violados pelo arame farpado do latifúndio, pelo uso indiscriminado de agrotóxicos, pelo maquinário das madeireiras e das mineradoras, pelos projetos faraônicos das monoculturas, das barragens, das hidrovias e hidrelétricas, dos minerodutos etc. Basta desses projetos de morte! Estão envenenando a comida do povo brasileiro com agrotóxico. Através de minerodutos, os minérios e as águas de Minas estão sendo roubadas de nós e ficando só devastação. Isso tudo repudiamos. Sejamos humanos e libertadores! Abracemos o antigo jeito novo de cuidar da terra como uma mãe cuida de seus filhos. Salvemo-nos dos transgênicos lutando pela reforma agrária e pelo fortalecimento da agricultura familiar na linha da agroecologia. Agasalhemos a vida e o cosmo, como se agasalha nos ninhos as asas do futuro. No desejo de fortalecer a solidariedade e a luta por justiça, em defesa da vida e do meio ambiente, com a juventude, num só grito em defesa da vida da terra e das águas, do povo e de toda a criação. A terra que Deus prometeu a todos, enquanto de todos não for, é um pecado da humanidade que clama aos céus. Alegramo-nos com as conquistas e os avanços nas lutas travadas pelos movimentos sociais do campo. Gratos pela acolhida e hospitalidade do povo de Miradouro e Diocese de Leopoldina, voltamos para nossas comunidades, revigorados para seguirmos lutando por Justiça e Paz. Com bênção do Deus da Vida, gritamos: Juventude no campo e na cidade, defendendo nosso chão, nossa gente e a criação. Que São Francisco de Assis, Santa Rita de Cássia e Nossa Senhora Aparecida nos inspirem e nos protejam. 

 Miradouro, Diocese de Leopoldina, Zona da Mata de Minas Gerais, 21 de julho de 2013.

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